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Arquivo de junho, 2008

28/06/2008 - 23:39

“Por muito tempo achei que a ausência é falta…”

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Faz algum tempo que eu venho tentando achar uns minutos do meu dia para retomar o Bookmarks, mas a vida anda corrida e eu nem tenho tido muito tempo para ler. Salve as horas intermináveis atarraxado bem no meio do trânsito de São Paulo que, quando não acabo caindo no sono dentro de qualquer tipo de transporte público existente, arranco da bolsa um livro e tento ler um pedaço, acompanhado de alguma música que toca no MP3. Enfim, aos livros.

Nesse tempo que não deu para ler muita coisa, peguei “O Apanhador do Campo de Centeio”, de Jerome David Salinger, que Aline já comentou em outro post aqui, e eu acabei achando o livro bem sincero. A definição do título feita por Caulfield vale por todas as palavras e histórias que ele contou durante a narrativa. É de se ler em poucos dias, de se refletir sobre a sua vida e ficar imaginando o porque do assassino de John Lennon carregar esse livro no dia do crime.

Antes, por tanto ouvir falar, acabei lendo “O Amor Líquido”, de Zygmunt Bauman, que trata apor causa do passar e agilidade do tempo. Não descordei em gênero, número e grau, tentei incorporar algumas dicas do sociólogo a minha vida e, o melhor de tudo, é que acabei gerando outros pontos de vistas e discussões internas sobre a minha pessoa. Complicado, o livro. Mas é um daqueles que de tantos conceitos e ligações acaba roubando seu cérebro e te faz perder a noção de tempo e espaço. Bauman é, infelizmente, um sociólogo que tem 100% de certeza quando argumenta sobre algo. Nesta obra, que segue uma seqüencia de “Vida Líquida” e “Modernidade Líquida”, ele põe em cheque um dos maiores sentimentos do homem e um dos mais mal interpretados: o amor. Por que vale a pena a leitura? Depois de dar uma relida na última página, você começa a dar muito mais valor e a interpretar melhor o teu sentimento.

Passou-se uns meses e eu peguei, finalmente, a continuidade da jornalista e consumista Becky Bloom. Em “Becky Bloom na 5ª Avenida”, de Sophie Kinsella, a moça vai para NY e acaba se perdendo de vez nos gastos. É um livro bobinho, que não tem muito conteúdo, mas é simplesmente ótimo para você dar risadas sinceras e sair correndo ao shopping para comprar algo. Eu gosto, de fato, e com certeza vou querer os outros. Não sei porque demoro tanto para ler as continuações, viu…

Ah, claro. Aproveitei o embalo de vida glamurosa de Becky e li outro “Gossip Girl”. A história começa a ficar meio chata depois que você segue a série na televisão, ainda mais porque a narrativa do livro é boba, parece que você tá lendo um conto infantil. Mas dá para ter um pouco de diversão e inveja dos personagens, que vivem a melhor (depende do ponto de vista) vida do mundo em NY.

Por último, mas não menos importante, li “Hell – Paris 75016”, de Lolita Pille. A definição da obra por uma amiga foi de algo kitsch. Eu concordei, de começo, pelo fato do livro ter uma escrita bem pobre, com um correr duvidoso e não chamativo, mas por lotar as linhas de palavras difíceis. Pra começar, é um livro para ler acompanhado de um dicionário. Mas enfim, a história de Hell é uma história verdadeira, um relato da própria autora do livro, que é onipresente. Bem Christiane F, a moça vive em Paris e tem todo o dinheiro do mundo para fazer o que quer. Sai de balada todos os dias, usa as melhores roupas das melhores grifes, vive em um apartamento sozinha, se droga e faz sexo como troca de calcinha. Até que se apaixona, vive um tempo com o moço e depois se separa. O destino mata o cara. Daí Hell desacredita de sua vida e vai viver na promiscuidade. O livro é forte, verdadeiro e dá para sacar o que Lolita quis nos passar de sua dia. Aliás, com a última frase do livro, a gente saca bem o que ela queria ao escrevê-lo. A gente fica meio pesado depois que lê umas coisas dessas e o tema foi até assunto de uma discussão no Messenger, onde uma amiga disse que se ela tivesse todos os requintes que Hell tinha, com certeza ela iria querer acabar com a vida dela de alguma forma também. “Porque a perfeição – somada à felicidade – não existe”, foi o que me disse.

Eu sai da conversa e fiquei pensando uns bons dias no assunto.

E agora? DJogado na cama, está “A Menina que Roubava Livros”, por Marcus Zusak e que Aline também já comentou aqui. Não sei se é bom, mas pretendo aproveitar as férias para zerar o estoque guardado. E comprar mais, claro.

*No título, um trecho do poema “Ausência”, de Carlos Drummond de Andrade.

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