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06/05/2009 - 14:46

Quando a tradução do título vale mais…

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Decidi comprar “Como Ser Legal“, de Nick Hornby, depois de assistir ao filme “Alta Fidelidade”, que foi baseado na obra homônima. Achei que, seguindo o nome do livro, a obra seria “legal”. Ledo engano. O livro, traduzido ao pé da letra, tem o nome “Como ser bom”, mas foi adaptado para não parecer piega demais. “Bom”, aqui, é no sentindo de bonzinho, de bom coração. Logo que comprei o livro, há uns 2 anos, uma amiga disse “É um dos piores do Hornby”. Eu disse “já foi”. E assim aconteceu.

Um belo dia, subi em meu guarda-roupa e o escolhi. Comecei a lê-lo e quase cai no sono. “Epa, é só cansaço”. Continuei no dia seguinte. Descobri que “Como ser Legal” é, na verdade, um livro de auto-ajuda. A história rola através de Catie Carr, uma médica da Inglaterra casada com David, um homem que escreve textos para um jornal com críticas e reclamações em relação à vida. O livro começa com uma separação espontânea, feita pelo celular, no estacionamento do supermercado. Arrependida, Catie pede perdão e volta com David, para o bem-estar de sua família, que agrega mais dois filhos. Eis que David conhece BoasNovas, um cara louco da vida que afirma ter ganhado poderes de cura depois de ter ingerido um coquetel de drogas. Nhé!

BoasNovas é aquele cara que quer mudar o mundo. Depois de conquistar David e transformá-lo em um cara “legal”, ele vai viver junto da família de Catie e transforma a vida dos filhos e da mulher um inferno. A maior ação do cara é fazer com que cada vizinho da rua de David acolha uma criança de rua para sua casa. Uns se dão bem, outros nem tanto.

Por fim, “Como ser Legal” acabou se tornando um grande livro de auto-ajuda, camuflado em uma obra pop escrita por Nick Hornby, que sai totalmente do seu lugar comum ao escrever sobre vidas adultas com problemas emocionais, financeiros e de relacionamentos. A idéia de bondade para com o mundo de BoasNovas pode ser condizente em vários momentos, mas as situações que Catie é obrigada a viver mostra que, por mais que queiramos, não é possível mudar o mundo sozinho. A sociedade vai sempre refletir em nossas ações e, para um mundo totalmente justo, teríamos que deixar de lado muitos dos nossos hábitos.

Autor: - Categoria(s): Auto-ajuda Tags: , ,
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