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31/10/2009 - 09:00

Encontro Fatal

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“Uma dívida serve de desculpa para suspense e cenas picantes”

Você já ouviu falar no italiano Milo Manara? Se não, uma dica: se for ler alguma HQ dele, não faça isso em locais públicos! Isso, pois Milo é um especialista em erotismo. E é exatamente essa a receita de “Encontro Fatal”, que traz um enredo que serve como grande desculpa para o autor, expoente do quadrinho europeu, mostrar seu talento.

Nesse trabalho, a personagem principal é Valéria, jovem bonita e casada com o aspirante a político e endividado, Silvio. Na sede pelo poder e na intenção de agradar sua mimada esposa, Silvio se envolve com agiotas, mas se vê preso a uma penalidade impensável: sua esposa serviria como moeda de troca enquanto o pagamento não fosse feito. Mas não pense que o agiota prendeu Valéria ou algo do tipo, ele ordenou que um de seus capangas tivesse um encontro sexual marcado todo dia às seis horas da tarde com a jovem. Apesar de meio desajeitado e coroa, o lacaio não negou fogo e, todo dia, encontrava Valéria seja onde fosse.

Taí o prato cheio para Milo Manara mostrar sua expertise. Ainda que contido – talvez pela maior atenção ao enredo que ao detalhamento dos tais encontros – pode-se dizer que essa HQ pode ser apreciada por qualquer um acima de 12 anos, mas a dica é que isso não seja feito em um ônibus, por exemplo. A não ser que você não tenha nenhum problema em ter uma velhinha esticando o pescoço para observar as cenas picantes de seus quadrinhos. É um risco, mas vale a pena.

É válido também ficar atento ao final da história, que mostra aquelas reviravoltas clássicas de histórias que tendem a ser previsíveis, mas acabam seguindo um rumo diferente.

“Encontro Fatal” não chega a empolgar, mas vale ser lido, tanto para quem curte uma história diferente como para quem aprecia um bom desenho em HQ’s. A edição traz uma capa dura, formato 21 por 27 centímetros, 48 páginas e um preço razoável.

“Encontro Fatal”
Autor: Milo Manara
Editora Conrad
Preço: R$ 29,90
48 páginas

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
03/10/2009 - 08:45

umbigo sem fundo

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umbigo

A análise “sem fundo” de Dash Shaw

Se você gosta de HQ’s, então vai curtir “Umbigo sem fundo” já pelo seu tamanho: são 700 páginas de história ilustrada. Os acontecimentos são dividido em três partes, tudo muito bem pensado pelo autor, que inclusive requisita que você faça pausas entre a leitura de um capítulo e outro. E funciona, já que a ideia parece ser que as personagens, o ambiente em que se passa o acontecido, os conflitos e as inseguranças mergulhem o leitor em um processo mútuo de amadurecimento.

O autor, Dash Shaw, faz muito bem essa ligação do leitor e das personagens, pois permite que você conheça as neuras de cada um, logo a identificação com um ou mais deles é inevitável. Mas quem são eles? A resposta: a família Looney. Formada pelo pai caladão, David, a mãe preocupada com a família, Maggie, a insegura filha do meio, Claire, o mais velho e metido a sabichão, Dennis, e por fim, o mais novo e esquisito, Peter. O universo familiar sai de sua órbita habitual quando um acontecimento marcante acontece: após 40 anos, o pai e a mãe Looney decidem se divorciar sem motivo aparente.

É nesse contexto que entram em cena Jill, a filha de Claire, Aki e seu bebê, esposa e filho de Dennis, e mais tarde Kat, a “namoradinha” de Peter. Convidados pelos pai e mãe, os Looney voltam a sua antiga casa de praia para viver mais alguns momentos juntos, antes que a família se desforme. É ai que cada um revela que pode reagir de forma bem diferente frente a um divórcio, e você é convidado a conhecer mais a fundo a personalidade de cada participante um deles. Claire vive um conflito interno por não achar que encontrará o amor e ainda tenta se dar bem com a sua filha, Peter, típico adolescente isolado, que parece não se encaixar em canto algum, tenta achar algum sentido para sua vida e Dennis, o que acaba se importando mais com a separação dos pais, vive seus conflitos internos.

Quem parece estar menos preocupados com isso tudo são os pais Looney, que encaram tudo aquilo com muita tranquilidade, com o argumento de que o amor acabou e que não há sentido em continuarem juntos dessa forma. Pois é, sem amor, tudo parece perder um pouco seu sentido, certo? É o que você vai descobrir lendo a HQ. Não se assuste com o tamanho, lendo um pouco por dia, você consegue lê-la em uma semana. Mas tente respeitar a orientação do autor: leia uma parte da história por vez. Dessa forma, você conseguirá assimilar ainda mais as neuras de cada Looney, vale a pena.

Além disso, a narrativa analítica e os desenhos simples de Dash Shaw se complementam de forma muito natural, fazendo com que até aqueles que não estejam acostumados com leitura de HQ’s entendam o contexto e entrem na viagem. Viagem que é sem “fundo”, levando em consideração que a análise de cada personagem é realmente profunda. O mais curioso é que a história foi escrita quando o autor tinha seus 23 anos e desenhada entre março de 2005 a agosto de 2009. Resumindo, “Umbigo sem fundo” representa quadrinhos “adultos” de excelente nível.

Autor: Dash Shaw/Tradutor: Érico Assis
Editora: Quadrinhos na Cia
720 páginas, R$ 53

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
19/09/2009 - 08:45

Guitarrista bom é guitarrista morto

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melodia_infernal_vol_01O tema céu, inferno e purgatório em roteiros de filmes, novelas, desenhos e seriados de TV já foi explorado por aí. Nos quadrinhos, o assunto é recorrente, seja em histórias de heróis ou não, mas apesar desse ser o caso de “Melodia Infernal-Volume 1”, a ideia central parece ser fugir da mesmice. As explicações básicas da realidade em que se passa a história são dadas, mas o diferencial aqui é o passatempo das almas que penam como os “principais” nessa história: eles aproveitam seus dias livres para fazer uma banda de heavy metal! Foi isso mesmo que você leu.

Mas esse trio não está contente, pois está incompleto e precisam de um guitarrista solo para voltarem a agitar o limbo em que vivem. Para o azar da banda, ao finalmente encontrar quem procuravam, percebem que o roqueiro escolhido ainda está vivo! E na realidade em que se passa a história, roqueiros são peças raras, já que o som da moda dominou a sociedade. Só que os planos do trio “metal” de completar a banda se mostram além da vontade do mundo dos vivos e dos mortos.

Os traços da HQ são no estilo mangá, mas quem fica a cargo da arte é um chinês, Lu Ming. O desenho ganha mais vida graças ao conhecimento que o autor esbanja na hora de retratar as guitarras clássicas que foram fonte das notas do rock até hoje. O movimento dado aos solos de guitarra e bateria ganham força com os tradicionais exageros do estilo oriental de desenho.

É curioso também reparar nas referências que Lu Ming deixa espalhadas pelos quadrinhos: um personagem do Mortal Kombat aqui, outro da DC Comics ali (no caso, o próprio Cavaleiro das Trevas!) – mas todos devidamente escondidos nas cenas. Na edição brasileira, o quadrinista “escatológico” Marcatti, que também é guitarrista de blues desde 1990, ainda deixa como “extra” uma explicação mais detalhada dos instrumentos que aparecem na HQ. O resto da explicação fica pro volume 2.

“Melodia Infernal Vol. 1” (2009), Lu Ming
Ed. Conrad do Brasil
144 páginas, R$12,90

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